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Avaliação: Não avaliado | Publicado em: 20/05/2007
definindo ‘design’
Marcos Nahr Marcos Nähr é formado em Design Gráfico com ênfase em mídias eletrônicas. Trabalha há 4 anos no departamento de Global eCommerce da Dell Computadores. Atualmente exerce a função de Online Business Editor para America Latina. Atua como designer de interfaces desde 1998, tendo realizado trabalhos em empresas como Espacio Digital (hoje Agência Internet), Godigital e Planejar Brasil do grupo RBS.


No meio profissional não faltam definições para o que é design. A preocupação em se estabelecer essa definição tem gerado debates infindáveis, no meio acadêmico, em associações e principalmente em bares… e geralmente causam muito tédio e pouco resultado prático. Com frequência a etimologia da palavra é buscada, principalmente no Brasil, onde design é uma palavra relativamente recente e sujeita a confusões e desconfianças.

A origem imediata da palavra está na língua inglesa, na qual o substantivo design se refere tanto à ideia de plano, desígnio, intenção, quanto à de configuração, arranjo, estrutura (e não apenas de objetos de fabricação humana, pois é perfeitamente aceitável, em inglês, falar do design do universo ou de uma molécula). A origem mais remota da palavra está no latim designare, verbo que abrange ambos os sentidos, o de designar e o de desenhar. Percebe-se que, do ponto de vista etimológico, o termo já contém nas suas origens uma ambiguidade, uma tensão dinâmica, entre um aspecto abstrato de conceber/projetar/atribuir e outro concreto de registrar/configurar/formar.

A maioria das definições concorda que o design propicia a união desses dois níveis, atribuindo forma material a conceitos intelectuais. O design é, portanto, uma atividade que gera projetos, no sentido objetivo de planos, esboços ou modelos.

Diferentemente de outras atividades ditas projetuais, como a arquitetura e a engenharia, o design costuma projetar determinados tipos de artefatos móveis, se bem que as três atividades sejam limítrofes e se misturem às vezes na prática. A distinção entre design e outras atividades que geram artefatos móveis, como artesanato, artes plásticas e artes gráficas, tem sido outra preocupação constante para os forjadores de definições, e o anseio de alguns designers de se distanciarem do fazer artesanal ou artístico tem engendrado prescrições extremamente rígidas e preconceituosas. Design, arte e artesanato têm muito em comum e hoje, quando o design já atingiu uma certa maturidade institucional, muitos designers começam a perceber o valor de resgatar as antigas relações com o fazer manual. Historicamente, porém, a passagem, de um tipo de fabricação, em que o mesmo indivíduo concebe e executa o artefato, para um outro, em que existe uma separação nítida entre projetar e fabricar, constitui um dos marcos fundamentais para a caracterização do design. Segundo a con-ceituação tradicional, a diferença entre design e artesanato reside justamente no fato de que o designer se limita a projetar o objeto para ser fabricado por outras mãos ou, de preferência, por meios mecânicos. Boa parte dos debates em torno da definição do design acabam se voltando, portanto, para a tarefa de precisar o momento histórico em que teria ocorrido essa transição.

Este texto é uma releitura do capítulo “A Natureza do Design” do livro “Uma Introdução à História do Design” de Rafael Cardoso Denis.