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Avaliação: | Publicado em: 18/11/2006
Qualidade: um direito e um dever
Rafael Rossa Desenvolvedor pela DATASUL HCM, empresa que atua no desenvolvimento de soluções para Gestão do Capital Humano (www.datasul.com.br). Áreas de conhecimento: linguagem de programação (Progress, Delphi, ASP), Qualidade de Software, Engenharia de Software, ERP.


As relações entre qualidade e necessidade andam longe de uma sincronia. Não é uma missão fácil gerenciar o tempo, ainda mais quando este é o diferencial entre uma decisão e outra. No entanto, o foco na qualidade deve ser mantido.

Entender a tradução cotidiana para a palavra "qualidade" é o primeiro passo para implantar uma política de qualidade de software e estimular entre os desenvolvedores a busca insaciável por um produto mais íntegro. Pois, mesmo com toda a aplicabilidade de novas tecnologias e linguagens, um programa não existe sem que um programador participe de sua confecção. O que deixa o desenvolvimento em um nível artesanal.

O gerenciamento das competências do profissional que desenvolve softwares implica em burocracia, controle e “esportividade”. Sim, a “esportividade” de convivência e relacionamento mais aberto são os grandes diferenciais na busca do comprometimento. O primeiro passo não é implantar um controle rígido, mas sim, posicionar o profissional de forma a identificá-lo com a empresa. Um profissional que levanta a bandeira de sua empresa torna-se um motivador da qualidade.

A criação de paradigmas é um mal a ser combatido: mesmo que rotinas se façam necessárias para a aplicação de uma metodologia, estas situações propiciam um vício. É preciso estimular a criatividade. Entretanto, não se pode confundir criatividade com maquilagem. A qualidade deve imperar em todos os momentos, seja em uma visão gráfica ou nas boas práticas de se programar um código mais enxuto e objetivo.

A empresa que adquire um software quer uma ferramenta forte, com credibilidade, que atenda às exigências. A visão brasileira ainda é um pouco retrograda com relação à participação do cliente em projetos de implantação de software, o que dificulta o gerenciamento de riscos e possíveis inconsistências.

Mas procurar um culpado após a mensagem “ERROR” aparecer na tela do cliente, não é o correto. Diminuir a probabilidade de um erro ocorrer é o mais acertado. Por isso temos que ter a consciência de que a gestão da qualidade de software tem que focar na prevenção. Se a gestão desta qualidade for eficiente, é possível prever uma falha antecipadamente, antes que esta chegue até o usuário final. E, ainda, estabelecer ao programador certas diretrizes que visam documentar e diminuir a probabilidade de falhas.

Nesta longa jornada em busca da qualidade de software, ou da metodologia mais eficaz, não há apenas uma direção, mas várias. O importante é saber escolher o “sapato” para caminhar. E uma boa ferramenta que auxilie neste processo de controle de qualidade, é sempre bem-vinda.

Por isso, a implantação dos conceitos de SQA (Software Quality Assurance), ou Garantia de Qualidade de Software é o primeiro passo de muitos que ainda terão que ser dados. Faz-se necessário ressaltar que o SQA não garante a qualidade, mas sim o processo que leva à qualidade.

As funcionalidades da garantia de qualidade de software estão inseridas em todos os projetos de software e têm por objetivo garantir a execução dos processos de acordo com os padrões estabelecidos, bem como apoiar as áreas de desenvolvimento e engenharia de software na utilização desses processos.

Todas as ocorrências têm que ser registradas para que possam ser gerados relatórios de auditoria, medições estatísticas que permitirão uma nítida visibilidade de todos os projetos em andamento. Esses relatórios - publicados de forma que toda a empresa possa conhecê-los e acompanhá-los - permitem, numa rápida análise, identificar números de ocorrências e de atividades de correção por projeto e no processo como um todo.

É possível identificar os pontos que exigirão reforços antes mesmo que um problema mais sério ocorra. Na verdade, a prática de procedimentos como esses vai gradativamente eliminando a palavra "problema" do vocabulário e substituindo-a por "ocorrência" - isto é, algo que pode e vai ser administrado.

Este artigo é a parte 1 de 2 da seguinte série:
  1. Qualidade: um direito e um dever
  2. CMM: sem rodeios, sem gravatas!

Bacana.