
No ano de 2080, a população mundial vive em cidades erguidas sobre as que conhecemos, já que três quartos da Terra ficaram debaixo de água graças as consequências do aquecimento global. Nesse cenário, uma empresa criou robôs que pensam que são humanos e uma guerra se inicia.
Binary Domain tem um enredo interessante. A capa genérica engana quem observa o jogo em uma loja. Os primeiros minutos também não ajudam, já que ele mostra fortes ?homenagens? a Gears of War.
Após algumas horas de jogo, no entanto, Binary Domain apresenta suas qualidades. Apesar de ser um shooter em terceira pessoa bem genérico em variedade de gameplay, o enredo e algumas mecânicas inovadoras agradaram o suficiente para nos convencer a jogar até o final.

Uma empresa japonesa, liderada pelo cientista Yoji Amada, criou robôs que pensam que são humanos, chamados de ?Hollow Children?. Só que essa prática infringe uma das cláusulas a Nova Convenção de Genova, criada para ditar regras sobre a utilização e convivência entre humanos e os robôs criados para ajudar a reerguer a Terra após o dilúvio.
A Associação Internacional de Tecnologia Robótica envia, então, um grupo de soldados até o Japão para investigar o que está acontecendo e cobrar de Amada uma explicação. Como você já deve suspeitar, não será uma missão diplomática.
Personagens bombados, cenários variados e combates baseados em um sistema de cobertura bastante conhecido. Binary Domain não esconde suas referencias de Gears of War, e se parece muito com o shooter da Microsoft em diversos aspectos.

Algumas mecânicas, no entanto, diferenciam a experiência. A principal delas é a de confiança dos seus parceiros. Em diversos momentos será possível ganhar ou perder moral com cada membro do esquadrão. Ao destruir uma horda de inimigos de forma eficiente, por exemplo, eles ficarão impressionados com sua liderança e habilidade. Da mesma forma, acertá-los no meio de um tiroteio irá reduzir sua confiança.
A confiança altera diálogos e até mesmo alguns fatos que ocorrem na história. Ter a confiança dos seus aliados garante que suas ordens sejam atendidas. E o sistema de comando é bastante interessante. Utilizando o reconhecimento de voz, Binary Domain reconhece dezenas de palavras em seis línguas diferentes ? infelizmente o português ficou de fora. Utilizando um headphone, você aplica ordens como ?avançar?, ?atirar?, ?dar cobertura? e até mesmo comemorar ou reclamar. Usamos essa função durante todo o jogo, e nem sempre ela foi eficaz ou reconheceu exatamente o que dizíamos. Ela ela funcionou bem em 80% das vezes.
Esse arrojado sistema prova de uma vez por todas que a enxurrada de jogos ?Melhor com Kinect? apenas por usar reconhecimento de voz (leia Mass Effect 3 e Halo Anniversary) são puras jogadas de marketing. Esse sistema pode ser usado com qualquer dispositivo que capture voz, e Binary Domain deixou isso bem claro.

O ritmo de Binary Domain é interessante. Os desenvolvedores fizeram uma mistura entre fases clássicas de andar e atirar e outras a bordo de veículos ou com jogabilidade simplificada em prol do elemento ?cinematográfico?. Tudo isso funciona bem, mas não tem harmonia graças ao terrível time de personagens.
Sem carisma e personalidade, os personagens principais são rasos e genéricos. Dan, o que você controla, deve ter algum tipo de distúrbio de personalidade. Ora age com responsabilidade, ora como um babaca inconsequente. Os diálogos forçados e o clichê das cenas não interativas também não colaboram.
Dito isso, fica complicado se envolver demais no enredo ? que é interessante ? sabendo que os protagonistas são tão superficiais. Avançando algumas horas, os principais mistérios começam a surgir e a história fica mais envolvente, mas boa parte do tempo você esquecerá para onde está indo e o que precisa ser feito.

Claramente Binary Domain teve um orçamento limitado. Isso pode ser visto na ausência de refinamento em detalhes, texturas e até mesmo no design em geral, como se tivesse sido gerado direto de um editor de motor gráfico. Em alguns momentos os cenários são previsíveis demais, em outros temos surpresas com ótimas cenas de destruição pré-determinadas.
Precisamos confessar que, apesar de genéricos, os momentos de tiroteio são divertidos ? principalmente contra os chefes. Boa parte dos inimigos são robôs que aguentam um bom tempo de pé. A variedade de armas é suficiente, apesar de todas se parecerem demais para se importar em trocá-las. Um sistema de evolução garante que você queira destruir todos os robôs para acumular créditos e comprar melhorias e itens em ?máquinas de upgrades? espalhadas pelas fases.

O modo multiplayer é interesante, possui dois tipos de jogo: arenas de combate competitivas e arenas cooperativas. Essa última é como o modo horda de Gears of War, só que com munição extremamente contada e dificuldade bem alta. Uma pena que em todas as nossas tentativas, não conseguimos achar pessoas suficientes para jogar o modo competitivo. Talvez se o tempo usado para o multiplayer fosse usado para melhorar o modo principal, a experiência final seria melhor.
Binary Domain não é incrível, mas também surpreende quem espera por algo extremamente genérico. Se fosse um título famoso e esperado, com certeza seria uma decepção. Por ser algo novo e sem muita expectativa, até que faz bem seu papel.
